O que é o capitalismo?


Tié Lenzi
Tié Lenzi
Licenciada em Direito

O capitalismo é um tipo de sistema econômico que possui suas bases nos conceitos de propriedade privada e acúmulo de riqueza. É o sistema adotado em grande parte do mundo atualmente.

Características do capitalismo

Há alguns elementos que caracterizam o funcionamento do sistema capitalista. Conheça um pouco sobre eles:

Propriedade privada

A propriedade privada é um conceito fundamental para o capitalismo e se refere à propriedade sobre os meios de produção. Assim, no capitalismo essa propriedade é de quem é dono dos meios pelos quais o trabalho é executado.

Por exemplo: proprietários das empresas e de indústrias, de equipamentos e máquinas ou mesmo proprietários da tecnologia necessária para a produção de um determinado bem.

No capitalismo quem possui a propriedade privada possui mais poder, pois é através disso que o trabalho é feito pelos trabalhadores, que recebem um salário e não uma parte do que é produzido. Este processo é chamado de exploração da propriedade privada.

Obtenção de lucro e acúmulo de capital

O acúmulo de lucro e de riqueza é outra característica fundamental do sistema capitalista. No capitalismo a riqueza provém do lucro que é obtido através do trabalho desempenhado pelos trabalhadores (classe operária - proletariado).

De forma simples, esta é a engrenagem que faz o sistema capitalista funcionar: os trabalhadores entregam sua força de trabalho em troca do pagamento de um salário. O que é produzido por eles e vendido gera o lucro e o acúmulo de riqueza para os proprietários dos meios de produção.

Trabalho executado em troca de salário

O recebimento de um salário é a compensação pelo trabalho feito pelo proletariado e representa a venda da força de trabalho.

O salário dos trabalhadores é pago pelos proprietários dos meios de produção, ou seja, pelos proprietários das propriedades privadas.

O dinheiro recebido como salário e utilizado na compra de produtos e serviços completa o ciclo da geração de riquezas da sociedade capitalista.

Pouca intervenção do Estado na economia

No capitalismo a intervenção do Estado na economia é limitada. Essa intervenção é relacionada com a regulamentação da forma de funcionamento do mercado econômico.

A movimentação do mercado no sistema capitalista acontece conforme a procura por bens ou serviços aumenta ou diminui, um fenômeno econômico conhecido como "lei da oferta e da procura". Assim, é a movimentação do mercado que determina quais são as prioridades em relação à economia.

A "lei" funciona da seguinte forma: quanto mais um produto é oferecido no mercado, mais baixo será o seu preço. Da mesma forma, quanto mais um produto é procurado pelos consumidores, mais o seu preço pode ser elevado.

Divisão da sociedade em classes sociais

A divisão em classes sociais, além de ser uma característica básica do capitalismo, é um dos aspectos mais criticados do sistema. Isso acontece porque a divisão é feita basicamente entre quem possui os meios de produção e quem vende sua força de trabalho.

Assim, a sociedade é dividida entre as pessoas que recebem o lucro do que é produzido (pequeno grupo - burguesia) e as pessoas que trabalham para que este lucro exista (maior parte da sociedade - proletariado).

Fases do capitalismo

Desde a época de seu surgimento até os dias atuais o capitalismo passou por três fases diferentes: comercial, industrial e financeiro.

Capitalismo comercial

O capitalismo comercial ou mercantil é o período representado pela fase pré-capitalista durante os séculos XV a XVIII, sendo a época também conhecida como mercantilismo. O capitalismo comercial representou a fase em que o continente europeu fez a transição do sistema feudalista para o sistema capitalista.

O período foi marcado pelo enriquecimento da burguesia e pela intervenção do Estado na economia.

Uma das principais características desse período foi que a terra, como meio de produção, foi aos poucos perdendo importância e dando cada vez mais espaço para as atividades mercantis de compra e venda.

Nesta etapa do capitalismo a ideia de enriquecimento e acúmulo de capital já tinha bastante força e a riqueza era representada pela abundância de dinheiro e das matérias-primas utilizadas na época.

Capitalismo industrial

A fase do capitalismo industrial ou industrialismo, no século XVIII, começou como consequência da Revolução Industrial. Uma de suas principais características foram as mudanças ocorridas nos modos de produção de mercadorias.

A produção do período começou a ser realizada em grande escala, já em moldes mais industriais. O surgimento de máquinas, outra herança da Revolução Industrial, permitiu que a produção de mercadorias fosse feita em larga escala.

Foi também nesta fase que ocorreu o surgimento da classe de trabalhadores operários, a classe operária ou proletariado. O surgimento aconteceu em razão da necessidade de que pessoas trabalhassem nas linhas de produção das fábricas.

Capitalismo financeiro

O capitalismo financeiro é a etapa atual do sistema, que vigora ainda hoje. Uma das características mais marcantes do capitalismo financeiro é o controle econômico exercido pelas grandes instituições bancárias mundiais.

Além disso, o capitalismo financeiro também é ligado à existência de empresas que muitas vezes exercem um monopólio (domínio de uma área do mercado) tanto financeiro, como econômico.

Origem do capitalismo

O sistema capitalista não tem uma data exata de início, mas sabe-se que sua origem é ligada ao fim do feudalismo, entre o final do século XIV e o início do século XV.

A transição do feudalismo para o capitalismo foi lenta e aconteceu a partir do mercantilismo, que tinha como características: maior valorização das riquezas e o aumento do uso de dinheiro para a compra de bens e de serviços.

O início do sistema capitalista foi marcado principalmente pelos seguintes acontecimentos:

  • surgimento da classe social chamada burguesia,
  • aumento da mercantilização,
  • crescente interesse pela produção de mercadorias,
  • acúmulo de capital (bens e dinheiro).

É importante lembrar que desde o princípio o capitalismo esteve baseado no acúmulo de riqueza, embora o modelo atual seja bastante diferente em relação à época do seu surgimento.

O formato atual do capitalismo é resultado de um longo processo de desenvolvimento que aconteceu a partir do surgimento de novas tecnologias, do crescimento das cidades e de eventos históricos.

Capitalismo e desigualdade social

Desde seu surgimento foi notada a primeira e mais negativa consequência do capitalismo: o surgimento da desigualdade social, que é a ocorrência de grande diferença entre padrões de vida e oportunidades dadas às pessoas de diferentes classes sociais.

Esta diferença se caracteriza pela existência de um grande grupo (proletariado) que vive com poucos recursos, enquanto um grupo menor (proprietários dos meios de produção) acumula riqueza.

Teorias sobre o capitalismo

Os filósofos Karl Marx (1818-1893) e Max Weber (1864-1920) criaram teorias para explicar o funcionamento do sistema capitalista. Embora tenham conceitos em comum, as duas teorias possuem diferenças.

Para Karl Marx o capitalismo era definido como o conjunto dos modos de produção, ou seja, de todos os meios que eram necessários para garantir a produção de mercadorias.

Para que os meios de produção possam funcionar é necessária a força de trabalho que, segundo ele, também se transforma em mercadoria em razão da troca de trabalho pelo recebimento de um salário.

Foi Marx que criou a expressão mais-valia, um conceito fundamental para a compressão do capitalismo. A mais-valia é diferença entre o valor do que é produzido pelo trabalhador e o valor do seu salário. É justamente essa diferença que corresponde ao enriquecimento dos proprietários dos meios de produção.

Marx escreveu diversos livros sobre o assunto, dentre eles: Salário, lucro e preço (1865), O capital (1867), O capital II (1885), O capital III (1894) e Teorias sobre a mais-valia (1905), os três últimos publicados depois de sua morte.

Já para Max Weber o capitalismo era uma forma de funcionamento das relações sociais e econômicas originadas no período da Reforma Europeia.

Sobre o assunto, em 1905 Max Webber publicou o livro A ética protestante e o espírito do capitalismo.

Segundo ele, esse modo de pensar era caracterizado por uma valorização excessiva do trabalho, que considerava a profissão como uma possibilidade de salvação do indivíduo. De acordo com esta teoria, quem obtivesse acúmulo de riqueza era considerado como um predestinado.

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Tié Lenzi
Tié Lenzi
Formada em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande (2009) e mestranda em Ciências Jurídico-Políticas na Universidade do Porto, Portugal.
Página publicada em 18 de Abril de 2019 e última atualização em 18 de Abril de 2019 às 14:04.
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